sábado, 1 de setembro de 2007

Desejos de Vingança - Parte I

Muito interessante esta doutrinação a um amigo sofredor que foi conduzido a descobrir no passado as causas do seu imenso sofrimento. Ficámos a reflectir que o homem escreve no presente as páginas do seu futuro, em cada acto que pratica para o bem ou para o mal.


"Na noite de 12 para 13 de Agosto de 2007 manifestou-se uma entidade sofredora e revoltada. Havia mais de uma semana que alguns participantes do grupo lhe sentiam a presença através de diversos incómodos: noites mal dormidas (3 a 4 horas de sono), irritabilidade, falta de paciência... Após a oração de abertura e leitura de uma lição de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’, a entidade entabulou connosco o seguinte diálogo:

Doutrinador: Diz lá, meu amigo.

Espírito: Amor?! O que é isso de amor?!

Doutrinador: Tu vieste aqui ter connosco, não é verdade?

Espírito: Amor. É só amor. Amor... Onde é que ele está?

Doutrinador: Ninguém te amou a ti, amigo?

Espírito: Eu só fui enganado.

Doutrinador: Enganado por quem?

Espírito: Por todos.

Doutrinador: Tu estás a referir-te a teres sido enganado materialmente?

Espírito: Ódio é o que eu sinto. Ódio!

Doutrinador: Sentes ódio ou alguém sentiu ódio por ti?

Espírito: Eu sinto ódio porque fui enganado.

Doutrinador: Ódio a alguém em particular, ou à humanidade em geral?

Espírito: Eu odeio!

Doutrinador: Mas odeias quem, meu amigo?

Decorrem alguns instantes (...)

Doutrinador: Quem é que tu odeias?

Espírito: Aqueles que me fizeram sofrer.

Doutrinador: Mas o que é te fizeram para tu odiares assim tanto?

Espírito: Ainda hoje padeço.

Doutrinador: O que é te fizeram para tu odiares assim tanto?

Espírito: Não interessa.

Doutrinador: Prejudicaram-te?

Espírito: E enganaram-me.

Doutrinador: E enganaram-te... Enganaram-te na vida afectiva ou material?

Espírito: Em todas. Arruinaram-me a vida.

Doutrinador: E tu odeias aqueles irmãos infelizes que te fizeram isso, não é verdade?

Espírito: Tu também odiavas, se te fizessem o mesmo.

Doutrinador: Não sei. Se calhar não passei por aquilo que passaste. Não me contaste.

Espírito: Não quero contar. Quero é cumprir com os meus planos.

Doutrinador: Mas, querido amigo. Tu queres fazer justiça com as tuas próprias mãos. E achas correcto isso?

Espírito: Também não é correcto o que me fizeram e eu vou-me vingar.

Doutrinador: Diz-me uma coisa: tu acreditas em Deus e na justiça divina?

Espírito: Justiça faço eu. Eu é que faço justiça com as minhas mãos.

Doutrinador: Queres-te substituir a Deus, nosso Pai?

Espírito: Eu não me quero substituir a ninguém. Eu quero vingar-me!

Doutrinador: Não estás disposto a perdoar?

Espírito: Nunca!!! Só eu sei o que tenho passado!

Doutrinador: Diz-me uma coisa: será que tu, não fizeste, em tempos idos mal a alguém?

Espírito: Não! Não fiz nada!

Doutrinador: Então, procura lá recuar um pouco no tempo...

Espírito: Não quero recuar.

Doutrinador: Vamos lá relembrar. Vamos, meu amigo. Recua um pouco. Vamos ver. Vamos ver um pouquinho. Vamos ver se tu estás isento de alguma culpa. Vamos ver se não prejudicaste a alguém.

Espírito: Posso ter prejudicado. Todos nós fazemos asneiras. Mas mal como me fizeram não fiz a ninguém.

Doutrinador: Mas nada sucede por acaso. Tu disseste que não fizeste mal a ninguém da forma como te fizeram a ti, não é verdade? Mas vamos recuar um pouco no tempo.

Espírito: Não gosto que me toquem.

Doutrinador: Eu não te toco.

Doutrinador: Vá: vamos recuar um pouco no tempo. Vamos andar para trás.

Espírito: Para a frente é que eu vou andar!

Doutrinador: Vamos para trás, um pouquinho. (bocejos da entidade...) Procura lá. Procura lá relembrar...

Espírito: Não me toques! [A entidade recusa a imposição de mãos sobre a médium...]

Doutrinador: Não te estou a tocar, amigo.

Espírito: Estás-me a tocar!

Doutrinador: Vamos tentar recuar...

Espírito: Já te disse que não gosto que me toquem.

Doutrinador: Eu não toco. Vamos tentar um pouco no tempo. Vê lá. Vê lá o que eras antigamente.

Espírito: Olha... era um preto.

Doutrinador: E o que é que fizeste antes?

Espírito: Trabalhei que nem um escravo.

Doutrinador: E antes de seres preto, o que eras? Vê lá! Na vida anterior, porque tu já viveste muitas existências... Vê lá o que eras. Vamos recordar, amigo... Vamos recordar... Na vida anterior... Vê lá. Meu querido amigo. Observa.

Espírito: Não vejo nada. Dói-me muito a cabeça. [Recusa em recuar a vidas passadas]

Doutrinador: Procura ver.

Espírito: Quero ir-me embora.

Doutrinador: Vamos lá tentar ver antes, em vida anterior, amigo. Vamos a ver.

Espírito: Quero ir-me embora.

Doutrinador: Porquê, querido amigo? Não queres ver o teu passado? Antes de seres preto, antes de viveres essa tortura...

(bocejos da entidade...)

Vamos ver. Vamos recuar. Vamos recuar no tempo. Vá lá querido amigo. Muita luz sobre este nosso irmão...

(Decorre algum tempo...)

Espírito: Não! Aqui a fazerem-me coisas por artes mágicas?! Esse não sou eu! Não. Não me reconheço. Não! Não me lembro nada de ter feito essas coisas...

[Os participantes estão em oração e concentração]

Doutrinador: Observa, querido irmão. Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra. Tu nunca ouviste dizer?

Espírito: Só para tu não me voltares a tocar – estás sempre a tocar-me – eu vou-te contar. Mas isto não é verdade. Isto são artes mágicas que estão a fazer. Eu não faço estas coisas. Não me toques!!!

Doutrinador: Não te toco, querido amigo.

Espírito: Dizes que não, mas estás sempre a tocar-me.

Doutrinador: Eu não te toco, querido irmão.

Espírito: Não gosto de ser tocado. E muito menos por homens...

Estava aqui a ver coisas muito estranhas. Muito estranhas, que não têm a ver comigo. Afogava crianças no lago. Crianças das escravas. Com as minhas mãos. A afogar crianças no lago. Que era para elas trabalharem e não terem que amamentá-las. E muitas eram minhas... hum... E o que é que uma coisa tem a ver com as outras?! Tenho a cabeça a rebentar... vim para aqui com dor de estômago... saio daqui com dor de cabeça. Ainda por cima fui dizer logo que um homem destes merecia passar por mil torturas... mas não sou eu. Não me venham cá convencer que sou eu, que não sou... Agora tenho que me convencer que fui eu que fiz isto e que passei por uma vida de escravidão, de maus-tratos, de humilhações, por causa disto, que fiz eu. Quando já não me lembro disto. Se fui já não me lembro!

(...)

Tenho que chamar os meus amigos para me tirarem daqui. Venham todos! Preciso de vocês. Tirem-me daqui! Querem-me fazer desistir dos meus planos! Vou-me vingar nesta família toda. E aqui está uma digna representante [refere-se a uma das pessoas do grupo mediúnico, que é familiar próxima das pessoas de quem a entidade se quer vingar; de nada sabíamos e não nos tinha sido solicitado qualquer pedido de ajuda]. Não tem nada com isso, mas eu tenho que me vingar da família. Escusa ela de pedir que eu desista. E vocês também! Agora que eu os encontrei nem tão cedo vou desistir!

Doutrinador: Mas, meu irmão... quem afoga crianças...

Espírito: Pois: é um homem horrível! Mas esse homem horrível não sou eu! Estão a tentar iludir-me! Eu bem conheço essas artes. Estão a tentar iludir-me para me convencer a desistir!

Doutrinador: Não fujas à realidade!!! Não fujas à realidade!!! Vivemos vidas sucessivas e não é por acaso que tu passaste a última existência debaixo de tormentos. A justiça divina cumpriu-se na tua última existência. Tu foste esse mesmo que afogava crianças, quer queiras, quer não. Reconhece.

Espírito: Não sei. Isso é um grande choque para mim. Tenho que investigar. Tenho que ir investigar e pensar muito bem no assunto. Que isso é uma grande surpresa para mim. Estou desorientado.

Doutrinador: Foi-te dada a ver a realidade, amigo. Por isso Jesus disse: quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra.

Espírito: Mas isso não quer dizer que eles sejam melhores do que eu... São orgulhosos... maus...

Doutrinador: O que importa é aquilo que tu és e o que tu queres ser. Os outros não interessam. Interessa é a tua evolução, amigo. Não ficares preso no ódio e desejo de vingança. Porque isso revela, quando nós manifestamos esses sentimentos, revela que somos espíritos atrasados. Temos que mostrar que somos superiores. E é superior aquele que sabe perdoar. Perdoa porque sabe que outrora cometeu erros semelhantes.

Espírito: As tuas palavras são boas. Mas eu não estou bem... Estou muito perturbado.

Doutrinador: É natural, amigo. Uma situação dessas, causa choque. Sendo revelada a verdade da nossa existência, de existências anteriores. Julgávamo-nos impolutos e vítimas. A vítima de hoje foi o carrasco de outrora. E todos nós outrora fomos carrascos (bocejos da entidade) Por isso de uma forma ou de outra liquidámos nossos débitos. E tu na última existência liquidaste os teus débitos. Livraste-te. Conquistaste. E eles serviram de pedra de escândalo. Por isso têm que responder perante a lei. Não é necessária a tua presença para eles terem que responder perante a Lei. Segue a tua vida. Perdoa e avança na tua evolução. É esse o melhor caminho. O sábio caminho. Mostra a tua superioridade, amigo. E perdoa.

Espírito: Estou muito doente. Devo estar com febres altas.

Doutrinador: Estão médicos aqui presentes, querido amigo. Abre esses olhos. Abre esses olhos espirituais para o que se passa aqui à volta.

Decorre algum tempo em silêncio e oração. (...)

Doutrinador: Rogamos-te, Pai Amado, ajuda para este nosso querido irmão, para que ele possa ser encaminhado para planos superiores, para uma colónia de auxílio, ser esclarecido, ser auxiliado, para que ele possa retomar a sua vida, um novo caminho isento de ódios e desejos de vingança, porque, Senhor, nada sucede por acaso. Tu és o Deus infinitamente bom, grande e justo, que nunca, mas nunca deixa nenhum dos seus filhos ao abandono. Não dá a um filho seu uma pedra quando ele Lhe pede um pão. Para este nosso querido irmão nós pedimos muita luz, muita paz. E da nossa parte, um grande abraço para ti, querido amigo. Que Deus esteja contigo.

Passados alguns instantes manifesta-se o Amigo Espiritual que conduziu estes trabalhos...

Manuel

Núcleo Espírita "Amigo Amén"

Santa Maria, 13 de Agosto de 2007

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